DISCIPULADO
Livro: O sermão do monte
9ª Aula - Mateus 6:16-18

De todos os meios de graça, o jejum tem sido o mais mal compreendido. Alguns o exaltam acima de todas as Escrituras e da razão. Outros o desconsideram por completo. O jejum não é um fim, mas um meio precioso, ordenado por Deus e que, certamente, dá bons frutos.
Áreas do jejum:
1. Natureza do jejum
Todos os autores da Bíblia tomam a palavra “jejum” num único sentido: abster-se de comida. Davi, Neemias, Isaías e outros profetas, bem como Jesus e seus apóstolos, concordam que jejuar é deixar de comer por um período.
Moisés, Elias e Jesus foram dotados de força sobrenatural para esse propósito. É registrado que eles jejuaram sem interrupção por 40 dias e 40 noites (Dt. 9:18; 1 Rs. 19:8; Mt. 4:2). Entretanto, o tempo do jejum mais frequentemente registrado nas Escrituras pelos cristãos é de um dia, de manhã ao anoitecer. Além deles, há os “meio-jejuns”, observados no quarto e no sexto dias da semana, o ano todo. Nesses dias, as pessoas não comiam até às 15h, hora em que retornavam do culto público na igreja.
A igreja moderna, no entanto, parece entender o jejum como abstinência, usada quando não se pode jejuar por completo em razão de enfermidade ou fraqueza física. Equivale a alimentar-se com pouco, abstendo-se parcialmente da comida, ou seja, ingerindo uma quantidade menor do que a usual. Não parece haver um exemplo Bíblico disso, entretanto, não se pode condenar a prática, já que as Escrituras não a condenam.
O tipo mais inferior de jejum, se é que podemos chamar assim, é abster-se de alimentos agradáveis. Daniel e seus amigos fizeram isso (Dn. 1:8-12).
Jejuns estabelecidos
Na igreja judaica: havia o do sétimo mês, ordenado pelo próprio Deus (deveria ser observado por todo o Israel, sob a mais severa penalidade – Lv. 23:27-29 – posteriormente observado por Zacarias não apenas no sétimo mês, mas também no quarto, quinto e décimo meses – Zc. 8:19)
Na igreja cristã primitiva: os anuais, realizado geralmente antes da Páscoa, observado durante 48 horas por alguns. E os semanais, com jejuns durante uma semana inteira ou por duas semanas. Os que se dedicavam a esses jejuns não consumiam alimentos até o anoitecer de cada dia.
Na igreja histórica: 40 dias de quaresma, os Têmporas, nas quatro estações, os dias de Rogações, as Vigílias ou Vésperas de alguns festivais solenes, e os Semanais, todas as sextas-feiras do ano, exceto do Dia de Natal.
Além desses, que são fixos em todas as nações cristãs, sempre houve jejuns ocasionais, marcados de tempos em tempos, quando circunstâncias e ocasiões específicas exigem essa prática, como o jejum em todo o reino de Judá durante o governo de Josafá (2 Cr. 20:1-3) e no reino de Jeoaquim, filho de Josias (Jr. 36:9).
2. Razões bases e fins
Algumas pessoas, que sofrem fortes aflições emocionais, acabam abandonando por um período a necessidade de comer. Assim foi com Saul (1 Sm. 28:15-20), com Paulo e os homens que estavam no navio com ele (At. 27:33) e com Davi2 Sm.1:12).
O jejum é um auxílio à oração, para confirmar e aumentar a virtude e a castidade, acrescentando seriedade de espírito, sinceridade, sensibilidade e mansidão de consciência. Aumenta a morte para o mundo e, por conseguinte, o amor a Deus.
Ele também é um meio poderoso de evitar a ira do Senhor, como vemos com o exemplo de Acabe (1 Rs. 21:29) e Daniel (Dn. 9:16-19).
Além disso, para obter quaisquer bênçãos que necessitamos, como aplicado no Antigo Testamento (Jz. 20:26 1 Sm. 7:10; Es. 8:21; Nm. 1:4-11) e no Novo Testamento (At. 13:1-3), como também bênçãos espirituais, já que Jesus ensinou que há castas de demônios que somente são vencidas através do jejum e da oração (Mt. 17:19).
Cristo ensina nesse trecho do sermão do monte que o jejum é importante. Ele não exigiu expressamente nem o jejum, nem a oração e nem as esmolas, mas Suas instruções mostram como jejuar, orar e dar esmolas, dizendo “o teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente”.
3. De que maneira devemos jejuar
Deve ser feito para o Senhor: nossos olhos devem estar fixos nEle e o propósito ser glorificar a Deus, expressando nossa dor e vergonha pelas transgressões cometidas.
Não cair na armadilha de imaginar que merecemos algo de Deus por jejuar: seria uma tentativa de obter salvação por mérito e não pela graça. O jejum é um meio orientado por Deus pelo qual esperamos sua misericórdia imerecida, é um lugar de espera. Deus nos prometeu dar a sua benção gratuitamente.
Tomar cuidado para não afligirmos nosso corpo físico: preservar nossa saúde como uma boa dádiva de Deus, tomando cuidado para não destruirmos nosso corpo. Se não pudermos abster-nos totalmente de comida, que nos privemos de alimentos agradáveis (Is. 58:3).
Juntar a oração fervorosa ao nosso jejum: derramar toda a nossa alma, confessando nossos pecados com todos os seus agravantes, toda a nossa culpa e nosso estado desesperador. Tempo para lamentar também pelos pecados de todo o povo e para clamar pela igreja.
“Porventura não é este o jejum que escolhi,
que soltes as ligaduras da impiedade,
que desfaças as ataduras do jugo
e que deixes livres os oprimidos,
e despedaces todo o jugo?
Porventura não é também
que repartas o teu pão com o faminto,
e recolhas em casa os pobres abandonados;
e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?
Então romperá a tua luz como a alva,
e a tua cura apressadamente brotará,
e a tua justiça irá adiante de ti,
e a glória do Senhor será a tua retaguarda.
Então clamarás, e o Senhor te responderá;
gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui.
Se tirares do meio de ti o jugo,
o estender do dedo, e o falar iniquamente;
E se abrires a tua alma ao faminto,
e fartares a alma aflita;
então a tua luz nascerá nas trevas,
e a tua escuridão será como o meio-dia.
E o Senhor te guiará continuamente,
e fartará a tua alma em lugares áridos,
e fortificará os teus ossos;
e serás como um jardim regado,
e como um manancial, cujas águas nunca faltam.”
Isaías 58:5-11
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