9 de set de 2012

A existência de Deus

SEÇÃO: TEOLOGIA SISTEMÁTICA

O registro bíblico já começa evidenciando a existência de Deus e em nenhum momento se preocupa em provar essa existência. As escrituras simplesmente partem do pressuposto de que Deus existe e chama o homem a aventurar-se na fé.

Em todos os livros, Deus fala, aparece e nenhum dos personagens encontra dificuldade em lidar com isso. Para todos, a existência de Deus é um fato inquestionável e Ele se manifesta a quem quer, pela graça. Contudo, a Bíblia é específica em afirmar que há homens que dizem em seus corações que não há Deus, e os classifica como “tolos”, pois tiraram a Deus de seus pensamentos, porque já o haviam tirado de suas vidas; eles falam e vivem como se não houvesse Deus.

"Disse o tolo no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem". Salmos 14:1-2. 

Os grandes homens do Antigo Testamento nunca refletem sobre o invisível ou sobre aquilo que não conhecem; eles jamais questionam a existência de Deus. Para os autores bíblicos, esta não é uma dúvida, mas uma certeza absoluta.

A Bíblia apresenta Deus como o principal personagem em todo o universo, que existe desde a eternidade, a origem de tudo e aquele a quem tudo governa.

"Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, e seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus. E quem proclamará como eu, e anunciará isto, e o porá em ordem perante mim, desde que ordenei um povo eterno? E anuncie-lhes as coisas vindouras, e as que ainda hão de vir. Não vos assombreis, nem temais; porventura desde então não vo-lo fiz ouvir, e não vo-lo anunciei? Porque vós sois as minhas testemunhas. Porventura há outro Deus fora de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça". Isaías 44:6-9. 

"Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam". Hebreus 11:6. 

Jesus define Deus como “espírito” (João 4:24a), não apenas como um espírito, mas “O Espírito”, a origem e a fonte de todas as coisas. Deus não precisa provar Sua existência, embora haja evidências suficientes para provar que Ele existe. Ele é Senhor e Soberano, querendo ou não, existe um Deus. O fato de acreditarmos ou não, nada pode mudar essa verdade tremenda.

Evidências da existência de Deus

1. O argumento ontológico: O homem tem em si mesmo a ideia de um ser perfeito, sendo a perfeição um alvo atingível, conquistável. Assim, logicamente deve existir alguém mais perfeito do que nós mesmos, que vai além da perfeição humana. Desta forma, se o homem é perfeito, alguém mais perfeito deu origem a ele. Esses argumentos são apresentados pelos estudiosos da filosofia da religião Anselmo, Descartes, Samuel Clark e outros.

2. Argumento cosmológico: Tudo o que existe no mundo deve ter uma causa adequada e, sendo assim, deve ter uma causa indefinidamente grande, que equilibra a reciprocidade das diversas partes que constituem a razão dinâmica da existência. A natureza é perfeita demais para ter sido formada por uma explosão ou para ser fruto de um processo evolutivo aleatório, iniciado a bilhões de anos. Tal magnificência deve ter sido criada por alguém que fez tudo.

3. Argumento Teológico: Por onde quer que se contemple o mundo ali se revela inteligência, ordem, harmonia e desígnio, denunciando assim a existência de um ser inteligente e de firmes propósitos, tal como se exige a criação de um mundo assim. O homem para viver consome o ar, do qual retira o oxigênio, resultando disso o dióxido de carbono, inútil ao ser humano. As plantas por sua vez consomem o dióxido de carbono como elemento essencial, e produzem daí o oxigênio que será novamente consumido pelo homem. 

4. Argumento Histórico e Científico: A história da humanidade prova a existência de Deus. Desde a antiguidade o homem busca se relacionar com um “ser superior”. TODOS os povos espalhados pelo planeta têm de certa forma, uma maneira de cultuar a um deus (ou deuses). Na verdade, existe um vazio dentro do homem que só pode ser preenchido por Deus. Este sentimento sempre se manifesta em culto externo. Se o homem tende à adoração então só há uma explicação: um ser superior deu ao homem uma natureza religiosa, espiritual. Este fenômeno é universal.

5. Argumento criacionista: A razão argumenta que o universo deve ter tido um começo. Todo o efeito deve ter uma causa suficiente. O universo manifesta um movimento preciso e ordenado. A natureza é a própria revelação geral de Deus.

6. Argumento da natureza moral: A vida humana é regulada por conceitos de bem e mal arraigados no profundo de sua alma, desde o momento do seu nascimento. Há um Legislador Supremo que idealizou uma norma de conduta para o homem e fez com que sua natureza fosse capaz de compreender estes conceitos espontaneamente. Se o homem não tivesse nascido assim, cada um agiria conforme seu próprio desejo e vontade, como os animais, e seria guiado por puro instinto.

7. Argumento da consciência: A consciência é uma qualidade da mente que permite ao ser humano perceber a relação entre si e o ambiente ao seu redor. De onde vem essa consciência? Aquela voz interior que somos orientados a ouvir em todos os momentos? Deus é a única razão para o homem ter o sentimento de obrigação moral, que leva a perseguir o que é bom e se afastar do que é mau.

8. Argumento da natureza humana: A fome física indica a existência de algo que possa satisfazer, o cansaço a busca por descanso, a solidão a procura por amigos, são coisas que o homem busca naturalmente e automaticamente, no entanto foge daquilo que o desagrada. Semelhantemente existe uma sede em nosso interior que é espiritual. A alma não enganaria o homem provocando uma sede daquilo que não existe ou não se pode encontrar. Esse anseio sobrenatural também aponta para a existência de Deus, afinal não haveria este espaço no homem se não houvesse algo que pudesse preenchê-lo.

9. Argumento da Escritura: Nada que tenda a perturbar a fé do judeu ou do cristão foi descoberto. Descoberta após descoberta tem estabelecido a exatidão de inúmeros detalhes e trazido maior reconhecimento do valor da Bíblia como um livro fonte da história. A Bíblia é a revelação de Deus.

10. Argumento da revelação especial: Jesus Cristo é a revelação especial de Deus à humanidade. A existência e a vida de Jesus estão historicamente comprovadas e provadas. Ele veio para revelar Deus ao homem e O fazer conhecido. Jesus é o caminho para o verdadeiro Deus, e Ele mesmo disse: "Ninguém VEM ao Pai senão por mim" (João 14:6). Repare que Cristo disse VEM e não VAI, pois o Pai, o Filho e o Espírito Santo são o único e verdadeiro Deus.

11. Argumento da revelação pessoal: Experiência pessoal da salvação por meio da fé no sacrifício de Cristo e por Seu sangue. Jesus faz com que o homem se achegue a Deus, tendo o homem depois disso a plena certeza da existência do Senhor, porque o Espírito Santo testifica a salvação no espírito humano. Essa experiência dá ao ser humano a identidade de filho de Deus.

Outros argumentos poderiam ser explorados para mostrar que a presença de Deus é real, no entanto, somente pela fé é possível vivenciar momentos específicos e fortes de maneira pessoal. A fé é um dom de Deus e a experiência de conhecê-Lo e ser tocado por Ele através do Espírito Santo é indescritível, sobrenatural, incontestável e apenas se discerne espiritualmente.

“Santo Deus, criador de todas as coisas e fonte de toda a vida, temos a certeza da Tua existência e do Teu cuidado constante com Teus filhos. Tua presença em nossas vidas diariamente é indescritível e maravilhosa, e é através dela que nos sentimos seguros. Não precisamos de provas humanas para nos convencer de que o Senhor existe, não precisamos ver quando sentimos de maneira tão forte a Tua graça. Não queremos ser como Filipe que há tanto tempo estava contigo, mas não te reconheceu. Mas Te pedimos, Senhor, faça-se conhecido àqueles que ainda não Te conhecem e tenha misericórdia para com essas vidas. Elas precisam Te ver enquanto ainda há tempo. Visita a cada coração que está lendo esse texto e, Espírito Santo de Deus, convence-os de todo o pecado, da justiça e do juízo; no Nome de Jesus. Amém”.

Fonte: Apostila "Teologia Sistemática I", do ITQ, e Módulo "Básico - O conhecimento ao alcance de todos", da Faculdade Teológica Harvest.

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