21 de dez de 2011

Jesus: Referencial para a Evangelização do Mundo

“Evangelização é o anúncio da boa nova de que Deus está interessado na restauração dos seres humanos caídos e que esta restauração se dá mediante a fé na encarnação, na vida e na obra substitutiva, justificatória, vicária e representativa de Jesus na cruz e na ressurreição”. Caio Fábio d’Araújo Filho, evangelista brasileiro.

Quando pensamos em evangelização devemos pensar sempre que Jesus é o nosso modelo. Devemos agir na evangelização como Ele agia, levando em conta os princípios ensinados.

Cristo tinha sua presença registrada pelas testemunhas em ações concretas de aproximação aos pobres, de cura aos enfermos, de ensino dos ignorantes, de bondade em relação às crianças, de receptividade dos marginalizados, de perdão dos arrependidos e de crítica aos poderosos e corruptos.


Também para a Evangelização devemos levar em conta os principais problemas do mundo. Quando entendemos os conflitos e as necessidades das pessoas podemos agir de forma objetiva e eficaz em relação à fome, ao vazio espiritual, à liderança egocêntrica, às doenças, ao analfabetismo, à pobreza e à violência.

A região da Galileia

A região da Galileia, onde Jesus desenvolveu a maior parte de seu ministério, era composta de aproximadamente 100 cidades e 4 milhões de pessoas. Povo pobre, oprimido e explorado pelo governo de Roma e pelas autoridades religiosas judaicas.

Galileia é o nome regional da parte norte da Palestina, onde Jesus passou a infância e principiou seu ministério. Quando nasceu, os galileus já eram um povo segregado devido ao assédio contínuo das tribos não israelitas que coexistiam ali.

Essa influência nunca foi bem vista pelo resto da nação: os cananeus influenciavam os israelitas a ponto de estes serem empurrados para o sul, onde permaneceram por aproximadamente meio século. Isso fez com que a recolonização da Galileia fosse necessária.

A Galileia situava-se ao norte de Israel, com aproximadamente 64km de norte a sul e 40km de leste a oeste; a leste o Rio Jordão e o Mar da Galileia. Era cortada pela faixa de terra da Síria-Fenícia.

No texto de Marcos, Jesus é apresentado como aquele que procedia da Galileia. Ele regressou para lá depois da prisão de João Batista. De fato, todos os Evangelhos afirmam que foi na Galileia que Jesus pregou o Evangelho pela primeira vez e passou grande parte de Seu ministério.

Todavia, Lucas elabora uma teologia do “não retorno” cuja meta é Jerusalém e dali aos confins da terra, usa a Galileia como um caminho importante a se referir à ascensão.


“E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém”. Lucas 24:52.


“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”. Atos 1:8.


“Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir”. Atos 1:11.

A Galileia era uma encruzilhada cultural, uma região orientada para o comércio, que havia sido povoada por muito tempo tanto por gentios como por judeus. Durante o tempo de Jesus, os judeus viviam lado a lado com os fenícios, árabes, gregos e vários grupos orientais. Essa mescla racial havia dado à região o nome de “Galileia”, que quer dizer “círculo de pagãos”. Por isso, o livro de Isaías se refere à “Galileia dos gentios”.


“Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, na Galiléia das nações”. Isaías 9:1.

Nesse contexto, os discípulos, enviados por Jesus, saem para evangelizar e proclamar o reino de Deus. Após árduo trabalho voltam a Jesus a fim de relatar-Lhe as experiências vivenciadas no caminho.

A Galileia era a terra dos desprezados, por sua impureza, os judeus galileus eram menosprezados pelos de Jerusalém e Judeia (particularmente os fariseus e sacerdotes). Os judeus do sul se consideravam herdeiros da pureza racial e religiosa.

Ser Galileu era sinônimo de ser imbecíl! Daí a resposta de Natanael quando seu irmão havia dito ao Messias:

“Disse-lhe Natanael: Pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Disse-lhe Filipe: Vem, e vê”. João 1:46.

Essa também era a razão, segundo o Evangelho de João, pelo qual a noção de um Messias da Galileia parecia aos líderes religiosos de Jerusalém uma afirmação ridícula.

Sair para ir ao encontro da pobreza não é fácil, pois nos assustamos com o que vemos. A Galileia não é uma figura muito distante da realidade que enfrentamos nas cidades brasileiras.

As viagens de Jesus e dos apóstolos exigiam esforço e determinação, era necessário enfrentar os riscos e as despesas necessárias da época. Quem viajava a pé fazia uma média de 25 a 30 quilômetros por dia. A distância entre Jerusalém e Jericó era de 25 quilômetros, e a estrada que liga as duas cidades era estreita, sinuosa e íngreme.

De Jerusalém ao Mar da Galileia são mais ou menos 130 quilômetros. De Belém à Galileia, a distância é de pouco mais de 130 quilômetros. A maioria dos que viajavam nessa época fazia-o em carroças, carruagens ou em lombo de animal. O grau de conforto e a docilidade do animal variavam muito.

A evangelização não era uma tarefa fácil, exigia muito trabalho. O cansaço era comum. Tanto Jesus como seus discípulos tinham a responsabilidade de anunciar o reino de Deus e, ao mesmo tempo, uma profunda preocupação com a sua gente. Eram pessoas oprimidas e escravizadas sem perspectivas de melhoria e carentes do amor de Deus.

E nós, discípulos de Cristo, como brasileiros temos uma responsabilidade com nossos compatriotas que sofrem. É a nossa gente, pessoas que falam nosso idioma, muitos sem as oportunidades que tivemos.

Devemos ser gratos a Deus por termos sido alcançados pelo Evangelho que nos libertou do pecado e nos deu significado de vida. Quantos vivem sem nunca ter tido a oportunidade de ouvir falar de Jesus.

Não podemos nos acomodar em nossa vida religiosa que, muitas vezes, se resumo a culto, oferta, música e mensagem. Existem razões bem maiores do que estas.

Texto extraído da apostila “Evangelização”, do Instituto Teológico Quadrangular, 1º ano

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