22 de mar de 2011

Homilética – Introdução

CURSO TEOLÓGICO QUADRANGULAR - 2º SEMESTRE
1ª e 2ª Aulas – Homilética
Ministrada por: Ir. Robertinho
Data: 13 e 27.02.2011


“Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. Hebreus 4:12.


Definindo a Homilética
Homilética é a arte de pregar sermões religiosos; é a ciência de empregar os princípios do discurso público na pregação religiosa; é a arte de aplicar a verdade de Deus às necessidades do homem; é o estudo do conjunto de regras que devem ser seguidas na elaboração e na transmissão oral de um sermão, ou seja, o pregador precisa saber onde quer chegar, a mensagem precisa ser objetiva e traçará no esboço o caminho para atingir seu propósito final.

Comentário: É todo e apenas o discurso religioso firmado na palavra de Deus, aplicando a verdade das Escrituras às necessidades do homem. Outro tipo de discurso, mesmo sendo religioso, se conter heresia, não é homilética. Ele não é realizado apenas nos púlpitos, mas em todo lugar que se fala a palavra de Deus.

Seu propósito
A homilética tem como finalidade facilitar a elaboração e a transmissão do sermão para que aquele que ouve, assimile bem a mensagem.

Alguns benefícios da Homilética

Através da homilética, a educação da voz é aprimorada
A voz é o principal veículo de comunicação verbal. É um instrumento delicado. Os pequenos músculos das cordas vocais se cansam quando forçados. Sendo assim, o pregador deve cultivar o uso correto da voz. Para que os órgãos da fonação possam executar seus movimentos com eficiência, é necessário considerar alguns aspectos como: respiração, dicção e impostação da voz.

Comentário: Sendo a voz o instrumento mais importante da comunicação verbal, precisa ser trabalhada para que o ensino seja melhor entendido. Claro que, cada pessoa possui seu timbre e jeito peculiar de se expressar e precisa se adequar de acordo com esse perfil. Se o pregador começar a imitar a impostação de voz de outra pessoa pode prejudicar o ensino da palavra. Cada um possui um estilo próprio de ser, sua individualidade, e Deus usa o homem sem retirar aquilo que ele é. O Senhor pode te usar durante uma conversa, portanto, não se preocupe em ser energético ou não, a função do pregador da palavra é transmitir a mensagem.

A homilética ajuda a harmonizar a letra e o espírito
Alguns pregadores têm dificuldades para reunir o espiritual e o racional dentro de uma pregação. Tanto o racional quanto o espiritual precisam estar irmanados durante a pregação. O pregador coloca-se como um canal por onde flui a unção do Espírito Santo sobre sua mente. Graça e conhecimento devem estar juntos numa pregação (II Pedro 3:18).

A homilética aprimora os conhecimentos gerais do pregador
O apóstolo Pedro ensina que deve haver equilíbrio entre graça e conhecimento (II Pedro 3:18). O pregador não deixará de ser espiritual por apresentar conhecimentos gerais nos sermões. Quando inseridos no sermão, produzem resultados positivos. A homilética ensina como tirar proveito dos conhecimentos: ordenando os pensamentos e dosando-os com a graça divina. Para isto, três coisas são importantes: observação, consulta e discussão.

Comentário: O conhecimento de Cristo está 80% na revelação que Ele dá e apenas 20% nos estudos. Não é necessário ser um teólogo repleto de títulos para ministrar o evangelho. Deus usa todos os tipos de pessoas para que a mensagem chegue a todos os corações, seja um erudito quanto um pouco estudado. O pregador deve aplicar o conhecimento na revelação dada por Deus. A história bíblica não é o foco da mensagem, mas a aplicação espiritual dela na vida de cada um, sendo assim, todos precisam entender o que foi ministrado. Esteja atento: O pregador não deve se preocupar em falar palavras rebuscadas, mas precisa estar atento para não falar errado, com gírias ou com frases incoerentes.

A homilética aprimora a expressão corporal do pregador
Assim como a expressão verbal, também é importante a expressão corporal. O pregador se comunica pela expressão do rosto, postura e gesticulação. A expressão corporal comedida, consciente e educada do pregador contribuirá para o sucesso da mensagem. O pregador deve cultivar bons hábitos para que possa corresponder ao ideal da pregação, que é comunicar a Palavra de Deus de forma persuasiva.

Comentário: A postura do pregador mostra a preocupação com aquilo que está sendo ministrado. Transmite respeito e reverência. Examine-se quando estiver ministrando a palavra e mude o que estiver errado. Assim também deve ser a postura do cristão que ouve a mensagem, este deve estar atento para prestar sempre toda reverência.

A homilética aprimora a comunicação do pregador
A comunicação só existe se houver um emissor e um receptor além da mensagem. O simples ato de falar não indica como uma comunicação eficiente. A emissão de uma mensagem só terá efeito positivo se houver retorno. Pelas reações de seus ouvintes, o pregador saberá se a mensagem está surtindo o efeito desejado. O pregador precisa aprimorar sua linguagem e adequá-la ao nível cultural do auditório. Deve falar na linguagem do povo, mas sem cometer os seus erros.

A homilética ajuda o pregador a desenvolver o seu próprio estilo
Todos temos um jeito de ser que é reflexo da nossa personalidade. A forma como o pregador transmite a mensagem é o que chamamos de estilo. Na maioria das vezes o estilo reflete a personalidade de quem prega. Vejamos alguns exemplos:
Energético – A voz é usada com vigor, abusando dos tons médio e agudo. Há sempre um quê de exortação nas mensagens de quem tem esse estilo.
Mestre – Trás sempre uma informação sobre o que fala e demonstra preocupação em explicar as frases que usa. Sua voz é firme, mas sem muita modulação.
Conselheiro – Mesmo com um tom de voz pouco mais ameno que o Mestre, consegue transmitir autoridade. Usa muito bem as pausas e dá a impressão que deseja mais ouvir que falar.

A homilética ajuda a desenvolver a vida espiritual do pregador
Não há sucesso no ministério da Palavra sem o cultivo de uma vida espiritual dinâmica. Não basta conhecer as regras homiléticas, saber preparar um sermão, ter facilidade de expressão, nem possuir conhecimentos seculares, pois a pregação exige também uma vida de consagração. O pregador é, antes de tudo, servo do Senhor, de quem transmite a mensagem sem tirar ou acrescentar palavra. É um embaixador, que fala somente o que interessa ao Reino de Deus.

Comentário: A Homilética quando mal empregada pode fazer o homem cair no engano de que, por estar preparado, não precisa se consagrar e pedir o direcionamento de Deus para falar a mensagem do Evangelho. A preparação do pregador deve acontecer no dia-a-dia, no desenvolvimento da vida cristã. Seja o que você prega e preocupe-se em melhorar.

Elementos chaves da Homilética

O pregador deve saber o significado e a importância dos elementos chaves da homilética:

1. O dom da palavra, que vem de Deus.
2. O conhecimento, adquirido pelo estudo concentrado e consciente da Bíblia;
3. A habilidade, que é o aprimoramento do dom e do conhecimento aplicados na pregação;
4. A oratória, que é a arte de falar em público. Em nosso caso, limitaremos à religiosa ou sagrada, a qual procura difundir a religião através da prédica; ou seja, é a arte de falar a Palavra em público.
5. A prédica, que é, em síntese, o sermão que dá ao público sacro toda a beleza e veemência de uma tribuna; ou seja a prédica é o que difere a ministração da palavra de um discurso qualquer. Sem a prédica, o sermão se transforma em terapia.
6. A eloquência, que pode ser desenvolvida na oratória. O falar não é o único modo de exprimir eloqüência. Atitudes de postura física como o olhar, os gestos, a mímica facial, as lágrimas, os suspiros e até mesmo o silêncio são procedimentos poderosos de persuasão. A oratória só pode ser eloquente se o pregador souber usar a palavra com arte sóbria, mas entusiasmada. Eloquência não é emoção. O pregador deve saber controlar suas emoções sem neutralizá-las.
7. A retórica, que é o estudo teórico e prático das regras que desenvolvem e aperfeiçoam o falante natural da palavra. É o esforço para ajudar a eloqüência do pregador, se ele não tem. É possível ao pregador ter boa retórica, sem ser eloquente. É o conjunto de regras que aprimora a eloquência e dá à pregação (discurso) uma forma primorosa (eloquência escrita).


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