27 de dez de 2014

Quem é você?


DISCIPULADO
Livro: O sermão do monte
1ª Aula

Compartilhamos com vocês agora o ensino de um dos sermões mais profundos das Escrituras apresentado por Jesus ao povo de Israel. Tendo como base o livro “Sermão do Monte”, que reúne uma série de pregações do pastor John Wesley a respeito do tema, mergulharemos no capítulo 5 do Evangelho de Mateus, que nos mostra como deve ser a vida do verdadeiro cristão.

Quem foi John Wesley

Nascido em 17 de junho de 1703, John Wesley foi um teólogo cristão britânico, líder precursor do movimento metodista, que viveu no período conturbado da Revolução Industrial, onde crescia muito o número de desempregados.


A Inglaterra estava cheia de mendigos itinerantes, políticos corruptos, vícios e violência generalizada. O cristianismo, em todas as suas denominações, estava definhando. Ao invés de influenciar, o cristianismo estava sendo influenciado, de maneira alarmante, pela apatia religiosa e pela degeneração moral.

Wesley cresceu em uma família bem de vida e teve oportunidade de estudar em grandes universidades. Em determinado momento de sua vida, o alto grau de conhecimento esfriou seu coração pelo Reino, de maneira que vivia um vida cristã de aparências. Em meio a uma viagem missionária percebeu que não estava salvo por Deus e, em meio às dificuldades a bordo do navio, em meio a uma grande tempestade, teve medo de morrer, pois achava que Deus não podia justificá-lo mediante seus pecados.

Foi durante uma reunião, no dia 24 de maio de 1738, numa pequena reunião, ouvindo a leitura de um antigo comentário escrito por Martinho Lutero sobre a carta aos Romanos, que John descreve que sentiu seu coração se aquecer, experimenta grande confiança em Cristo e recebe a segurança de que Deus havia perdoado seus pecados. Ali ele disse com sinceridade: "Eu creio".  

Wesley pregava aos operários em praças e salões - muito embora ele não gostasse de pregar fora da Igreja - E tornou-se conhecidíssima esta sua frase: "o mundo é a minha paróquia".

Calcula-se que, em 50 anos, Wesley tenha percorrido 400 mil quilômetros e pregado 40 mil sermões, com uma média de 800 sermões por ano. John Wesley deixou um legado de 300 pregadores itinerantes e mil pregadores locais. A Igreja Metodista, como Igreja propriamente, organizou-se primeiro nos EUA e depois na Inglaterra (somente após a morte de Wesley no dia 2 de março de 1791).

Quem é você?
Sermão IX: O espírito de escravidão e de adoção

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai”. Romanos 8:15.

O Antigo Testamento estabelece um princípio imprescindível para que possamos desenvolver relacionamentos saudáveis: precisamos aprender a amar o nosso próprio como a nós mesmos (Lv. 19:18) e esse mesmo princípio é reforçado por Cristo no Novo Testamento (Mt. 22:38,39). Entretanto, para que possamos nos relacionar de maneira equilibrada com nosso semelhante, é necessário que o nosso auto-relacionamento seja sadio e adequado.

Antes de entrarmos nos estudos transmitidos por Cristo no monte, onde Ele nos ensina como deve ser nossa vivência cristã, precisamos, primeiramente, nos conhecer e entender a importância da santidade. Por isso, nessas duas primeiras aulas trabalharemos esses temas, para depois entrarmos no estudo propriamente dito do Evangelho de Mateus.

A jornada do autoconhecimento é complexa e desafiante. Nossas frustrações, mágoas e irritabilidade são proporcionais àquilo que esperamos dos outros. Quanto mais esperamos, mais sofremos. Não temos a capacidade de mudar o outro e nem de querer que mude para nos satisfazer, mas nós podemos mudar.

Tipos de pessoas

Olhar para dentro de si é mesmo é uma das maiores dificuldades do ser humano. Por isso, desafiamos você a observar qual é a sua situação atual. Segundo o pregador John Wesley, existem três tipos básicos de pessoas no mundo: o homem natural, o que se coloca sob a lei e o que está debaixo da graça.

O apóstolo Paulo, no versículo mencionado acima nos diz que o espírito de escravidão e medo é contrário ao espírito amoroso de adoção. No entanto, a maior parte da humanidade, mesmo aquela que se autodenomina cristã não entende o significado da adoção. Ainda se encontra longe, Deus não está em seus pensamentos e tão pouco amam ao Senhor. Alguns mais O temem.

O homem natural

É ignorante de si mesmo, anda em alegria e liberdade imaginárias, sendo servo voluntário do pecado. As Escrituras representam esse estado como um sono. Suas percepções espirituais não se manifestaram e não conseguem discernir o bem e o mal. Seus olhos espirituais estão fechados, de maneira que não conseguem ver.

Ele é totalmente ignorante quanto a Deus e não se importa de nada saber. Carece de felicidade, pois ela só é encontrada por meio de uma vida que está escondida com Cristo em Deus.

“Pelo que diz: Desperta , ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará”. Efésios 5:14.

“Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus”. Colossenses 3:2,3. 

O homem natural se sente seguro por pensar que nenhum mal lhe acontecerá, permanecendo em uma espécie de paz, que vem da obra do Diabo. Não percebe que está à beira do desastre.

Ele pode ser ateu (pensa que Deus não existe), agnóstico (acredita ser impossível saber qualquer coisa a respeito de Deus) ou deísta (acha que Deus está totalmente alheio às coisas que são feitas sobre a terra. Se satisfaz em dizer que Deus é misericordioso).

Alguns chegam a dizer que sua obrigação com a lei está cumprida, porque, segundo eles, Jesus veio para salvar as pessoas em seus pecados e não de seus pecados. Prega que Jesus dará os céus sem santidade. Desconsidera as palavras de Jesus que nem todo aquele que me diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus (Mateus 7:21).

Fala de se arrepender no futuro, em algum momento antes de morrer. Se felicita pela sua própria sabedoria e bondade, e sente prazer em satisfazer os desejos da carne, dos olhos ou o orgulho da vida. O mundo fala bem dele. E essa é toda a felicidade terrena: vestir-se,visitar e falar, comer e beber e levantar-se e brincar.

Diz estar livre dos extremismos religiosos das almas fracas e limitadas. E esse é o estado do homem natural, seja ele um transgressor grosseiro e escandaloso, seja um pecador mais reputado e decente. Mesmo que assuma a forma de devoção.

O homem que se coloca sob a lei

Em determinado momento, o homem natural é tocado por Deus, despertando do seu sono e colocando em sua consciência o perigo de estar longe do Senhor. Os olhos do seu entendimento são abertos e ele consegue discernir o estado real em que se encontra. É como se uma luz mostrasse que está à beira do abismo, prestes a cair.

Percebe que Deus, apesar de ser amoroso e misericordioso, também é justo e punitivo. Nada se esconde dos olhos do Senhor e se convence de que cada parte da lei de Deus se relaciona com seus atos.

Quando ouve:

  • Não matarás > Quem odeia a seu irmão é assassino (1 João 3:15)
  • Qualquer que dizer: “Louco”, corre o risco de ir para o inferno (Mateus 5:22)
  • Não adulterarás > Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela em seu coração (Mateus 5:28). 


Assim, reconhece que a Palavra de Deus é ágil, poderosa e mais afiada do que uma espada de dois gumes. Penetra até dividir sua alma e espírito, juntas e medulas. E reconhece que negligenciou o Senhor por tempo demasiado.

Finalmente ele se vê nu perante Deus, como foi com Adão e Eva. Sabe que bem nenhum habita nele, tem consciência de que seu coração é todo perverso e cheio de pecados. Os prazeres, antes adorados, agora não agradam mais, o sabor fica estragado, seu cheio, enjoativo. O medo da morte está sempre presente. Teme o Diabo. Assim, ele se debate continuamente, se arrependendo e pecando.

Toda essa luta é descrita pelo apóstolo Paulo no capítulo 7 de Romanos (vs. 5-25). Esse é o retrato daquele que está sob a lei, que anseia por liberdade e amor, mas continua no medo e na escravidão.

O homem que está debaixo da graça

Até o momento que Deus começa a criar um relacionamento com o homem. Quando ouve seu clamor e seu desespero. Mostra sua graça por meio de Cristo, nosso Senhor (Romanos 8:1-17).

Então a escravidão termina. Ele não está mais sob a lei, mas sob a graça. Agora, consegue dizer “Aba, Pai” (aramaico: meu Pai). O home sob a lei clamou ao Senhor em sua aflição e Deus o livrou de sua angústia (Êxodo 33:19).

Contempla o Cordeiro de Deus retirando os seus pecados (Gálatas 2:20). Aqui termina o medo do inferno, mas surge a esperança de morar eternamente com o Pai. Agora, não apenas luta contra o pecado, mas o vence. É testemunha viva da gloriosa liberdade que é dada a todos os filhos de Deus.

Resumo das diferenças: Natural, Legal e Espíritual


  • O homem natural: não teme nem ama a Deus. Não vence o pecado e nem luta contra ele. 
  • O homem que se coloca sob a lei: teme a Deus. Luta contra o pecado, mas não consegue vencê-lo.
  • O homem que está debaixo da graça: ama a Deus. Luta contra o pecado e o vence e é mais do que vencedor por meio de Deus, que o ama. 

Conclusão

Você que é de Cristo, cuide-se para não ficar aquém da marca de sua vocação, não repouse no estado natural com tantos outros que são contados como “bons cristãos”. Não se contente em viver e morrer no estado legal. Ame a Deus (Mateus 22:37). Busque os ganhos maiores que estão à sua frente e Deus aperfeiçoará a sua obra, por meio de Cristo e pelo dom do Espírito Santo.

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