13 de set de 2011

Pastor Natanael Rinaldi conta porque se tornou apologista


Material Extraído do Site do Centro Apologético Cristão de Pesquisa

Considerado um dos ícones entre os apologistas brasileiros, Natanael Rinaldi conta como iniciou seu ministério apologético. Confira nesta entrevista logo abaixo.

Nogueira: O senhor nasceu em um lar evangélico ou aceitou Jesus quando era criança, adolescente, jovem ou adulto?

Rinaldi: Nasci em lar evangélico. Mas, como se costuma dizer, Deus não tem netos. E, apesar de ser filho de crente, era apenas uma criatura humana, pois apenas recebi Jesus como Salvador e Senhor nos termos de João 1.12. Freqüentava a Escola Dominical. Era aluno aplicado nos concursos bíblicos da Igreja Presbiteriana Independente. Só não havia nascido de novo (Jo 3.3,5).
Esta experiência somente aconteceu em minha adolescência em um salão da Assembléia de Deus, em São Vicente, SP, mais ou menos aos 12 anos de idade.


Nogueira: O que o levou a ser apologista?

Rinaldi: Depois de minha conversão, na adolescência, resolvi cooperar na obra de Deus, mesmo sem ser obreiro qualificado. Espontaneamente ocupei-me em fazer visitas aos novos convertidos e participar dos cultos nos lares e ao ar livre. Como resultado disto, havia decisões de várias pessoas por Cristo.
Encarregava-me de visitá-las periodicamente. Em certa ocasião notei que, ao sair de uma determinada casa, logo em seguida dois homens entraram na mesma residência. Posteriormente soube que se tratava de adventistas do sétimo dia que semeavam suas doutrinas justamente nos lares onde eu evangelizava. Entrei em pânico quando fui desafiado a participar de um debate na casa de um de nossos irmãos. Fui procurado pelos membros desta seita para debater sobre o tema: O sábado deveria ou não ser guardado pelos cristãos? Estava completamente despreparado. Fui obrigado a estudar o livro "Sabatismo à luz da Palavra de Deus". Não houve mais trégua. Era puxado para debates nas igrejas adventistas (movimento de Reforma). Viajava para dar assistência aos irmãos que eram pressionados por eles. Mudei-me para São Paulo e aí começou a luta com as testemunhas-de-Jeová. Elas são pessoas belicosas no debate religioso. Ufanam-se de possuírem a religião verdadeira, aliás, a única sobre a face da Terra. Vieram depois os mórmons e nunca mais parei de estudar sobre seitas, religiões e movimentos evangélicos controvertidos. É o meu ministério.

Nogueira: O senhor acha que a apologia é também necessária nos dias de hoje?

Rinaldi: Necessária hoje? Sempre foi necessária. O que ocorre realmente é que a liderança evangélica não se preocupa com este assunto. Falamos muito em evangelização e missões. Porventura uma pessoa que sai a evangelizar não encontra com os adeptos das seitas? Estão os crentes preparados para fazer defesa da fé?(Tt 1.9) Infelizmente reconhecemos como verdade o que declara o escritor do livro O Caos das Seitas: "Nunca houve na história da Igreja uma época de cristãos tão analfabetos biblicamente falando como a nossa". Desconhecemos não só o que cremos como o que é ensinado pelos sectários. Como podemos ganhá-los? As testemunhas-de-Jeová não batem à nossa porta semanalmente aos domingos de manhã? Enfrentamo-las com a Bíblia na mão, ou batemos a porta em sua cara? Nunca foi tão necessária a apologia como nos dias de hoje, mormente quando se cumpre a "apostasia" de que fala Paulo em 1 Timóteo 4.1.

Nogueira: Se não tivermos cuidado, que mal as seitas e heresias farão à Igreja Cristã na atualidade?

Rinaldi: Simplesmente trabalharemos para as seitas. Evangelizamos? Sim. Ensinamos? Não. Os chamados neófitos na fé, que não sabem distinguir o erro da verdade (Ef 4.14), são levados cativos por todo o tipo de heresias, desde as chamadas pseudo-cristãs que se utilizam da Bíblia para enganar (Mt 7:15,16) como as seitas mais extravagantes, entre elas os Meninos de Deus (A Família), que pregam a "pesca-cokete": ganhar pessoas para Cristo, através da prostituição sagrada.

Nogueira: Na sua opinião, o que falta em nosso meio evangélico para combatermos eficientemente as seitas e heresias?

Rinaldi: Falta a conscientização sobre o avanço das seitas. Muitos adotam a atitude de Gamaliel (At 5:38,39): "Não fale sobre o crescimento das seitas, pois se for de Deus não devemos ser encontrados lutando contra o próprio Deus; e se for dos homens, extinguir-se-ão". Com isso vemos o avanço do Espiritismo em todas as suas modalidades no Brasil: Kardecismo, Legião da Boa Vontade, Cultura Racional, Umbanda, Quimbanda, etc. Vemos o crescimento das Testemunhas de Jeová, que ocupam o terceiro lugar no mundo com o pretexto de serem os legítimos representantes de Deus na Terra. Vemos o avanço dos mórmons, os quais criam entidades missionárias e enviam jovens brasileiros para o Exterior. É necessário que nossos seminários, nossas escolas e faculdades de teologia tenham professores eficientes no conhecimento dos erros doutrinários das seitas, a fim de que os alunos refutem, à luz da Palavra de Deus (2 Tm 2.15), estes erros.

Nogueira: Como e para que surgiu o ICP no Brasil?

Rinaldi: Ele surgiu em nosso país com a vinda do diretor do ICP dos Estados Unidos - Dr. Walter Martin - (já falecido) ao Brasil. Foi realizado em São Paulo um seminário sobre seitas com a presença de vários líderes ex-integrantes de diversos movimentos heréticos. Foi um sucesso. Quase todas as escolas teológicas da capital participaram do evento. Com a presença destes ilustres visitantes americanos ficou decidida a abertura de um escritório no Brasil. Ele funcionou inicialmente na Rua 23 de Maio, 116, no centro de São Paulo. Depois veio para o nosso país o missionário Paul Garden que assumiu a presidência da filial do ICP. Fomos muito abençoados com a vinda desta entidade para a nossa pátria. A literatura sobre seitas e heresias em língua inglesa é muita rica. Ganhamos uma biblioteca só para apologética. Um tesouro que nós brasileiros desconhecemos. Muitas igrejas solicitaram seminários em fins de semana e os obreiros do ICP viajaram por todo o Brasil, a fim de ministrar palestras sobre seitas e heresias. Os institutos bíblicos de São Paulo valiam-se dos obreiros do Instituto Cristão de Pesquisas. As agências de missões faziam questão, antes de enviar seus missionários ao Exterior, que eles tivessem pelo menos uma semana de estudo intensivo no ICP. Acredito que foi uma bênção para nós brasileiros a vinda deste Instituto.

Nogueira: O senhor acha que o ICP tem cumprido o seu propósito ou ainda falta alguma coisa para que coroe de êxito a sua missão?

Rinaldi: O ICP cumpre a sua parte, pois oferece muitas informações religiosas a todo o Brasil. O que lamentamos é a falta de receptividade dos pastores brasileiros. Uma indiferença chocante. Por isso perdem vários membros de suas igrejas para as seitas, pois oferecem seus púlpitos aos sectários; compram literatura apóstata e não percebem o mal que causam a si mesmos. Se o ICP tivesse mais condições, ofereceria o melhor aos nossos irmãos obreiros. Porém faltam-lhe recursos, os quais poderiam chegar das igrejas. O êxito do ICP tem sido parcial, quando deveria ser total, pois o problema do avanço das seitas permanece.

Nogueira: O que as igrejas evangélicas podem fazer para melhorar a atuação do ICP entre os cristãos brasileiros?

Rinaldi: Acabar com este "slogan" de que não interessa a placa da igreja. Admitem muitos líderes que tudo é igual. Basta evangelizar. Fazer defesa da fé (Jd 3) nem pensar. Quando um pastor proíbe alguém conhecedor do efeito daninho das seitas falar sobre o assunto em sua igreja, como vamos melhorar o ICP para ajudar as denominações evangélicas? Repito: falta conscientização da maioria dos nossos pastores líderes. Não falam no assunto e não permitem que se fale. É uma lástima, uma vergonha!



Nogueira: O que o senhor acha da revista Defesa da Fé?

Rinaldi: Lançamento oportuno para orientação dos cristãos brasileiros. É com avidez que os assinantes aguardam a sua chegada a cada trimestre. Já publicamos três números com assuntos importantíssimos de orientação para os evangélicos em geral.

Nogueira: O que devemos fazer para melhorá-la?

Rinaldi: Como se encontra, está boa, além das expectativas. Precisamos melhorar a sua divulgação. Que cada pastor, líder ou membro de igreja seja um leitor assíduo da revista. Cada um de nós deve divulgá-la, a fim de que aumente a sua tiragem, com alcance nacional.

Nogueira: Na verdade, encontramo-nos na pré-tribulação ou ainda aguardamos o princípio de dores?

Rinaldi: Nós, que lutamos contra os ensinos errôneos das seitas chamadas apocalípticas, não podemos cair no erro de marcar datas para acontecimentos proféticos. Sabemos que vivemos em tempos de apostasia (1 Tm 4.1); e a vinda de Jesus avizinha-se (Mt 24.36,37; 2 Tm 3.1-4); mais longe de nós afirmar se estamos ou não em tempos que procedem a grande tribulação, mesmo porque aguardamos o Arrebatamento da Igreja (1Ts 4.16,17).

Nogueira: O senhor acredita que, apesar da disseminação das seitas, na atualidade, a Igreja Cristã sobreviverá a tudo isso através de um despertamento espiritual?

Rinaldi: Por experiência própria a luta contra as seitas tem-me feito permanecer atento, em um despertamento contínuo. Cada dia em que acordo com o propósito de falar de Cristo aos perdidos, não sei se estes são adeptos de uma seita. Por isso preciso estar preparado, tinindo, com a Bíblia memorizada na cabeça e no coração. Vigiando sempre porque o sectário espia-me, olha a minha vida para ver se há algum deslize pelo qual possa me acusar. Há despertamento maior do que este de orar, vigiar, estudar a Bíblia? Não creio no que se realiza dentro de quatro paredes. No que não se volve para os perdidos. Acredito naquele que se refere à conscientização da vida cristã dentro e fora da igreja. Vinte e quatro horas por dia.

Nogueira: O senhor acha que a ênfase dada pelos veículos de comunicação aos OVNIs é um prenúncio da vinda do Senhor Jesus?

Rinaldi: Se existem, são manifestações diabólicas como as previstas em Efésios 2.2 e 2, Tessalonicenses 2.8-10. É a chegada do Movimento Nova Era com a sua ideologia de um novo Cristo a começar do ano 2.000. É o ocultismo que impera. É o satanismo aberto e declarado com seus seguidores que admitem ser extraterrestes. Naturalmente tudo isso é um prenúncio da vinda de Jesus (Mt 24.29).

Nogueira: Que palavra o senhor daria aos leitores de "Defesa da Fé" a este respeito?

Rinaldi: O melhor conselho que posso dar é que se tornem estudiosos da Palavra de Deus (At 17.11), como os cristãos bereanos. Paralelamente ao estudo da Bíblia, a leitura de livros específicos sobre o combate às seitas e fazer isto pela verdade, o que os adeptos das seitas realizam pela mentira.

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