24 de fev de 2011

Obama divulga posicionamento dos EUA sobre a Líbia

EDITORIA: MUNDO

Barack Obama diz que os Estados Unidos irão "coordenar ações junto com o mundo" para melhorar a situação do país, e analisa diversas opções para responsabilizá-lo, mas não adiantou nenhuma ação precisa. 

Críticos apontaram que houve intervenção do govero americano no norte africano e no oriente médio, mas o presidente declarou que a mudança em curso não representa trabalho dos EUA, mas das próprias pessoas que "estão tentando viver como seres humanos".

Confira a matéria na íntegra:



Obama: governo líbio deve ser responsabilizado por violência

Fonte: Terra: 23.02.2011

Obama, ao lado de Hillary Clinton, fala sobre a Líbia
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu nesta quarta-feira que o governo líbio deve ser responsabilizado pela onda de violência que se espalha pelo país em meio aos protestos de contestação do comando do líder Muammar Kadafi.

Ao lado da Secretária de Estado, Hillary Clinton, Obama fez hoje seu primeiro pronunciamento sobre a situação desde a escalada dos prostos líbios, no dia 17 de fevereiro.

Havia a expectativa de que Obama pudesse indicar sanções ou ainda ações mais incisivas contra a Líbia, somando-se à crescente pressão que o país vem sofrendo em vista da repressão contra a população. Obama, no entanto, usou poucos minutos para indicar que enviará Clinton a Genebra, para o encontro do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Obama disse que seus assessores de política externa têm "trabalhado contra o tempo" para preparar uma resposta à violência e disse que está analisando "diversas opções" para responsabilizar a Líbia. Embora não tenha adiantado ações precisas, o presidente tratou de enfatizar que o mundo inteiro "todo o mundo está assistindo" ao desenrolar dos fatos em solo líbio e que o "sofrimento" e o "derramamento de sangue" são "insultantes". Trata-se, em suas palavras, de uma "situação vital", na qual a "comunidade internacional deve falar em uníssono."

"Nós (os Estados Unidos) iremos coordenar ações junto com o mundo" para tentar melhorar a situação do país. Pelo menos 600 pessoas já morreram em uma semana de protestos, durante as quais Kadafi vê, aos poucos, o controle de cidades se esvair, enquanto que o temor de novas mortes cresce.

Obama lembrou a condenação massiva feita por diversos organismos internacionais, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas - que igualmente responsabilizou o governo líbio pela violência contra -, a Liga Árabe, a União Africana e diversas nações, de modo independente, condenaram as ações na Líbia.

Contra os críticos do intervencionismo americano no norte africano e no oriente médio, Obama defendeu que "essa mudança (em curso nos países árabes) não representa o trabalho dos Estados Unidos, mas o trabalho das próprias pessoas, que estão tentando viver como seres humanos".

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi

Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

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